Há mundo
A folha guarda verdades que não coincidem com meus rabiscos.
Sem destino, a folha de outono repousou no solo.
Não havia do que se despedir.
Que é mundo?
Só — e ainda assim.
Me espantam as coisas,
e a angústia excitante de que poderiam não ser.
A pedra,
constato-a não clamar por morada.
Este lápis é no escrever,
junto as mãos humanas, sem interrogar pelo gesto.
O corpo sente o vento ir sem porquê,
doando à vela um caminho à terra.
A chuva desvelando o verde brilhante nas folhas;
e o odor inegável da união despretensiosa com o solo.
Os meus rabiscos apenas contornam.
Há mundo.
Há.
Esse estranho-familiar.
Estrangeiridade tão certa quanto o vir da noite.
Há outras verdades quando não escrevo.
Ser longe, fora e estrangeiro.
Fugidio de si em meio às coisas que te fizeram casa.
Não esqueça de que se esqueceu.
Junto a nulidade, o mundo pode brincar de ser.
O verme, rastejante e paciente…
aguarda o teu fim.
Não está no tempo que é o seu.
O fim de ser.
Clareira que se apagou.
Já não há mais.